Pataias
Pataias é uma freguesia portuguesa do concelho de Alcobaça, com 79,95 km² de área e 5 453 habitantes (2001). Densidade: 68,2 hab/km². Foi elevada a vila a 16 de Maio de 1984. Apesar de pertencer ao concelho de Alcobaça, mantem uma ligação especial à cidade vizinha da Marinha Grande, quer pela próximidade geográfica quer pela relação económica, constituindo-se como uma extensão dos polos industriais marinhenses.
Dela fazem parte as povoações de Pataias, Pataias-Gare, Pisões, Burinhosa, Ferraria, Mélvoa, Paio de Baixo, Paredes da Vitória, Mina do Azeiche, Água de Medeiros, Légua, vale do Inácio, Boubã, Alva e, ainda uma extensa costa com praias magníficas.
História
Pataias existe há muitos anos… ou, por outra, Pataias existe há muitos séculos. Quantos, não se sabe, mas sabe-se que já em 1151 o nome era referido por D. Afonso Henriques, no documento de doação feito por este Rei aos Monges Beneditos da Ordem de Cister. E o documento diz: ”eu, D. Afonso, pela Divina Misericórdia Rei dos Portugueses, juntamente com a Rainha Mafalda, minha mulher e companheira no reino fazemos testamento em Couto a vós D. Bernardo abade do Mosteiro de Claraval de Hua nossa própria herdade que temos entre aqueles dois lugares chamados Leiria e Óbidos, abaixo do Monte Faixa, comarca de Lisboa, águas vertentes ao mar. Damo-vos também o lugar que chamam Alcobaça e dele vos fazemos testamento e couto… pelos limites abaixo declarados… e passa por Mélvoa até à Mata de Pataias, donde corta direito por entre Pederneira e Moel, até chegar ao mar.“
Como não podia deixar de ser, devido à antiguidade da região, muitas hipóteses há a considerar para a formação do nome Pataias: algumas delas que já forma motivo de polémica no extinto jornal ”A Voz da paróquia“, são a que nos informa que Pataias se deverá provavelmente aos deuses pataicos, deuses fenícios que enfeitavam os barcos desse povo que frequentemente viajou pelas nossas costas; outra, do Padre José Ferreira Lacerda, defendendo que Pataias derivava de Patais oriundo da abundância de patos existentes nas lagoas da região. Outra ainda, que se aponta como mais credível, é a que se situa nesta terra as tulhas dos frades da Abadia de Cister, sabendo-se que Pataias é um vocábulo de origem indiana que significa tulhas. A tradição popular, informa-nos da lenda de que indo a Rainha Santa Isabel a passar por aqui com o seu séquito e sentindo que os cavalos iam cansados, por pisarem carregados as areias do caminho que na altura eram muitas, terá dito às suas aias para que aliviassem as montadas: ”à pata aias“.
Economia
Pataias sempre teve uma tradição industrial, perde-se na memória dos tempos a sua mais antiga actividade, a dos fornos de cal, nesta data já inactivos. Indústria do vidro e subsidiária, como era o caso das empalhações que também existiram. Cimentos, moldes para plásticos, serralharia civil, mobiliário em todos os estilos, metalurgia, transportes rodoviários, material áudio, cerâmica, pecuária, estufas agrícolas, soldas, produtos alimentares, são indústrias que fazem parte do quotidiano da freguesia. O comércio é também é muito diversificado e importante, podendo mesmo dizer-se que há um pouco de tudo, sendo ainda de considerar a agricultura.
Património Construido
Fornos da cal
Nº IPA (Inventário do Património Arquitectónico)
PT031001100033
Enquadramento
Rural, isolado, erguem-se no pinhal.
Descrição
Conjunto de construções parcialmente enterradas de tijolo, de secção circular, bojuda, estreitando para a goela; abertura lateral em arco. À frente de cada forno ergue-se um alpendre constituído, na maioria, por 3 ou 4 colunas de pedras e argamassa a cada lado e 2, ao centro, ao centro, que sustêm uma cobertura de telha sobre estrutura de madeira, disposta a 2 águas. Alguns alpendres têm telhado de aba corrida.
Utilização Inicial
Industrial. Engenhos de fabricação de cal.
Utilização Actual
Marco histórico-cultural.
Época Construção
Séc. XIX
Cronologia
Séc. 19, finais - construção dos fornos; 1980 - estavam 25 fornos operacionais, fazendo em média 7 cozeduras por ano, cada um, consumindo em cada fornada de 60 a 100 carradas de mutano, conforme eram feitas no Verão ou no Inverno; 1990 - encontravam-se desactivados.
Tipologia
Fornos de secção circular, bojuda, estreitando para a abertura superior, parcialmente enterrados.
Dados Técnicos
Estruturas autónomas (fornos) e autoportantes (alpendres)
Materiais
Tijolo, alvenaria, telha.
Observações
A riqueza geológica (maciços calcários) e a abundância de material lenhoso na região, favoreceu o aparecimento dos fornos de fabrico de cal. Os fornos tiveram influência no desvio da rota da linha do Oeste (Pataias-Gare) que garantia a drenagem da produção para quase todo o País. Tinham no interior uma grade onde se queimava o combustível, as pedras eram dispostas formando uma abóbada sobre a grelha, por ordem decrescente de tamanhos. A boca do forno era tapada, deixando algumas aberturas para regular a tiragem dos gases. A operação dava-se por terminada quando as pedras da camada superior estavam cozidas (Perdigão, L., 1995).
Património Natural
Lagoa de Pataias
É uma zona húmida que surge no meio da vasta área de pinhal bravo que ocupa esta região do litoral Português e, portanto, é ocupada por Fauna e Flora distintas de toda a envolvente.
Face a usos indevidos no passado, a água encontra-se poluída por nutrientes que promovem o crescimento excessivo de matéria vegetal com consequente falta de oxigénio na água (Eutrofização). A Eutroficação é típica das zonas húmidas interiores e, normalmente, conduz à sua mutação para ecossistemas terrestres. Neste caso concreto, o processo foi acelerado pela acção antrópica.
A dependência exclusiva da precipitação, juntamente com a situação de seca extrema em 2005, culminaram na evaporação de toda a água, uma situação que não sucedia desde 1944. Para além do desaparecimento da ictiofauna, a falta de água criou pressões enormes em outros grupos como os anfíbios, mamíferos e aves, em termos de alterações do habitat, indisponibilidade de água e/ou de alimento. Os nutrientes presentes na água acumularam-se nos sedimentos do fundo: estes, juntamente com grandes extensões de macrófitas aquáticas, foram removidos mecanicamente de forma a evitar que, após outra época de chuvas, a qualidade da água voltasse a piorar.
Após um Inverno chuvoso, a cota da lagoa recuperou ao ponto de poderem equacionar-se os repovoamentos com ruivacos: estes peixes, outrora muito comuns na lagoa de Pataias, foram dizimados por espécies indesejáveis introduzidas (carpa, perca e gambúsia). O plano de gestão da lagoa de Pataias vê assim mais uma etapa cumprida, mas, no contexto de alterações climáticas globais, este ecossistema requererá cuidados continuados no futuro. A gestão desta lagoa remete-nos para os elevados custos de remediação dos serviços dos ecossistemas. É por isso sempre melhor evitar a degradação da Natureza e, neste sentido, desde 2003 que o Projecto de Educação Ambiental do Município dá especial relevância a esta zona única no concelho.
(Artigo de Sofia Quaresma, in www.cm-alcobaca.pt)
Praias
Além das praias, que são de um interesse inegável e de uma beleza extraordinária, uma outra atracção existe para passar uma bela tarde de lazer, de acordo com as normas da natureza.
- Praia da Falca
- Praia da Légua
- Vale do Inácio
- Borda do Mar
- Vale do Pardo
- Valeirão
- Praia de Vale Furado
- Mina do Azeiche
- Mijaretes
- Praia de Paredes da Vitória
- Praia da Polvoeira
- Praia da Pedra do Ouro
- Praia de Água de Medeiros
Se sabe alguma informação sobre este local ou tem fotos, e se a quer partilhar no site www.pataias.web.com, agradecemos que nos envie para: vila.pataias@sapo.pt
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